A VOZ DO PASTOR

Sábado, 23 Setembro 2017 10:58

Sagradas Escrituras

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  Setembro tem como tema a animação bíblica da pastoral e o último domingo é o Dia Nacional da Bíblia devido à proximidade da memória de São Jerônimo, doutor da Igreja, estudioso e tradutor das Escrituras.

Ele favoreceu sua divulgação, leitura e estudo. Afirmou: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo, porque aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus e sua sabedoria”.

Pode-se dizer que as Escrituras estão traduzidas em todos os idiomas. Muitas de suas narrativas e outros de seus gêneros literários estão presentes em gravuras, pinturas, filmes, novelas, poemas, romances, músicas, teatro, etc. Trata-se da “tradução”, adaptação ou aplicação em outras linguagens.

Se as novas gerações não forem introduzidas na literatura bíblica, perderão o contato com um bem precioso que faz parte de nossa cultura e história e civilização. Ficarão mais pobres, menos eruditas, e correrão o risco de perderem o sentido de Deus e do Homem e desconhecerem a História da Revelação e da Salvação. Daí a necessidade de despertar e promover sempre o conhecimento e o amor aos Livros Santos, motivando para sua leitura diária, atenta e piedosa.

 Não se trata de apresentar apenas a literatura, enraizada na sabedoria antiga e mesmo na cultura, mas de fomentar a atitude católica de acolhida reverencial aos textos bíblicos que contém a Palavra, oriunda da tradição oral. Não basta conhece-los. É preciso ama-los. Quem conhece, ama. Quem ama, aprecia. Quem aprecia, lê diariamente ou frequentemente.

Entretanto, não basta a atenção que afugenta a distração. É necessário cultivar a piedade. Esta é um dos 7 dons do Espírito Santo recebido no batismo e confirmado na crisma.  O dom da piedade favorece à meditação a partir da Bíblia. Estimula a oração com a Bíblia. Ensaia o diálogo pessoal da nossa palavra com a Palavra de Deus. Como cantávamos: “ Palavra é a ponte onde o amor vai e vem”.

O dom da piedade pode até imprimir em certas pessoas muito íntimas, no seu relacionamento com o Mistério, o que São Paulo expressa a respeito da oração: “O próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis, e aquele que perscruta os corações sabe qual o desejo do Espírito” (Rm 8,26-27).

No entanto, o Catecismo da Igreja Católica afirma que a fé cristã não é uma “religião do Livro”. Não somos livrescos nem fundamentalistas.  Quer dizer: “O cristianismo é a religião da “Palavra” de Deus, “não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo”.

Os autores bíblicos, chamados de hagiógrafos, ainda que humanos e, usando palavras humanas, e em situações humanas (e até “desumanas”, pensemos no pecado e demais fragilidades) foram inspirados. Cabe, então, ao Espírito Santo de Deus, interpretar tais Escritos, segundo o que os autores quiseram afirmar, através de suas palavras. Serão lidos e interpretados no mesmo Espírito em que foram escritos. De fato, “a letra mata, o Espírito é quem vivifica” (2 Cor 3,6). Por isso, a leitura e o estudo das Escrituras devem ser precedidos pela invocação: Vinde, Espírito Santo! Ou pedidos similares.

Tais Escritos são um dom dado à Igreja e contêm a Revelação juntamente com a Sagrada Tradição. Por isso, cabe ao Magistério da Igreja, ou seja, ao Papa e aos Bispos em comunhão com ele, interpretar autenticamente a Palavra de Deus em sintonia com o senso comum da fé dos fiéis: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10,16). Com efeito, a Tradição apostólica possibilitou que a Igreja discernisse quais escritos entrariam na lista dos Livros Sagrados ou no Cânon das Escrituras: 46 no Antigo Testamento e, sobretudo, 27 no Novo Testamento.

Há grande intertextualidade nos escritos de ambos os Testamentos, de modo que, muitas vezes, se interpenetram. Quanto ao Antigo e ao Novo Testamentos, embora haja diversidade, em ambos existem a unidade digna de admiração, devido ao projeto de Deus e de sua Revelação. O Antigo prepara o Novo. O Novo acolhe e cumpre o Antigo. Eles se iluminam em reciprocidade dinâmica. A Igreja não só os acolhe, mas celebra os sacramentos, sobretudo, a Eucaristia, proclamando seus textos. Por isso, importa perceber e vivenciar a íntima união entre a Palavra de Deus e a Liturgia.

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