A VOZ DO PASTOR

Sábado, 30 Setembro 2017 15:30

Ide, Portanto!

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  O Evangelho segundo Mateus está sendo lido, proclamado e explicado durante os domingos do Tempo Comum.

É conhecido por Evangelho judeu-cristão em confronto com os fariseus tão condenados por Jesus. É acessível aos gentios desde a chegada dos magos vindos do Oriente. Apresenta um cristianismo aberto, isto é, de Igreja grande e universal. Porém, com um centro unificador na pessoa de Pedro. O catolicismo romano muito se inspira em Mateus para fundamentar sua eclesiologia de expandir-se pelo mundo sem perder a unidade.

A questão messiânica está no cerne do Evangelho de Mateus, pois apresenta Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão, em relação a sua origem remota (cf. Genealogia, Mt 1, 1-17). Assim, inserido na história de Israel, Jesus é a realização das promessas e das expectativas: o prometido Messias da estirpe de Davi. Também é o Servo de Deus, anunciado por Isaías (12, 15-21), e o rei manso e pacífico, ao qual se refere Zacarias (21, 5).

Segundo Mateus, Jesus enquanto Messias, é o intérprete definitivo da vontade de Deus: “Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revoga-los, mas dar-lhes pleno cumprimento” (5, 17). A vontade divina é expressa em sua vida, ensinamento e atuação. Portanto, a expressão “eu, porém, vos digo” é a manifestação definitiva da vontade de Deus transmitida por Ele: “Este é meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o! ” (17, 5).     

Consequentemente, o título de Filho de Deus é fundamental para compreender Jesus. Está presente em todo o caminho histórico por Ele percorrido, do Natal à vida pública, da morte à ressurreição. Ao morrer, cabe aos guardas, que são gentios, reconhecerem: “De fato, este era Filho de Deus! ” (17, 54). Na conclusão, o Ressuscitado aparece como sendo “o Filho” em sua relação trinitária batismal: Pai-Filho-Espírito Santo (28,19). Confirma, assim, o que foi nomeado no início, por ocasião do nascimento: será chamado “Deus conosco” (1, 23). Esta presença entre nós é garantida pela promessa: por “todos os dias, até a consumação dos séculos” (28,20).

Igualmente, Mateus pode ser lido em chave missionária, como é oportuno lembrar, durante o mês de outubro, dedicado ao tema da missão. Desde o início do seu Evangelho, Jesus convoca quatro primeiros discípulos: Simão e André, Tiago e João (1, 16-19). A seguir, chama o próprio Mateus (9, 9). Elege e convoca os doze apóstolos e os envia “como ovelhas entre lobos” (10, 1-16). Apóstolo possui em si mesmo o sentido de ser enviado. Portanto, é função de missionário.

O evangelista recorda que os missionários serão perseguidos (10, 17-25). “Serão entregues aos sinédrios e serão flagelados em suas sinagogas”, em clara alusão à primeira perseguição. “Conduzidos à presença de governadores e reis, para dar testemunho perante eles e perante as nações”, em referência ao martírio, primeiro sob o comando do império romano, e a seguir, em todas as outras situações e ocorrências da história da Igreja até os dias de hoje.

Enfim, após a ressurreição, as mulheres se tornam missionárias: “ Ide dizer aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos” (28,7); “Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia” (28,10).  A última aparição, precisamente na Galileia, corresponde ao mandato da missão universal. Ela é explícita: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (28, 19-20).

Estimuladora para a missão é a promessa conclusiva: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (28, 20). A extensão no tempo nos recorda que a missão evangelizadora é de todos os discípulos (as) e em todos os tempos e lugares. Logo, a Igreja sempre se entende como missionária. Faz parte da sua natureza reconhecer-se em estado permanente de missão.

Há os que ficam. Há quem parte para terras distantes. Todos, porém, alargamos a compreensão da Igreja em saída, como nos tem lembrado o Papa Francisco com insistência.

 

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