LITURGIA E FÉ

Sexta, 10 Junho 2016 14:56

O que celebramos?

A Liturgia é a celebração do Mistério Pascal de Cristo, não somente a Eucaristia, mas toda celebração da comunidade. A Liturgia como Mistério Pascal é um tema muito recente na linguagem da Igreja, recuperado pelo Movimento Litúrgico (1890-1960), pois já era utilizado no II século, e de fundamental importância.

A Liturgia celebra o mistério salvífico de Deus, sua ação em favor da humanidade e do universo. A Liturgia realiza isso através dos ritos (palavra, gestos e símbolos), que retoma a realidade da salvação e a torna presente, por meio de um gesto com significado, é o que chamamos de sacramento: um gesto com significado que torna presente uma ação salvífica de Cristo.[1] “Foi o movimento Litúrgico que redescobriu a liturgia como autocomunicação[2] de Cristo, caminho, verdade e vida; como diálogo entre Deus e seu povo; e como presença da obra salvadora de Cristo pelo rito e pelo símbolo, formalidade própria que abarca a realidade da fé e da salvação”[3]

Portanto, o Mistério Pascal é o centro de toda celebração e do ano litúrgico, de tal forma que quando celebramos - o tríduo pascal e o domingo, os sacramentos, memórias e festa dos santos, liturgia das horas e ofício divino das comunidades, nossa oração pessoal, se faz presente a força transformadora da Páscoa, da vinda e vida do Senhor entre nós até chegar a sua Plenitude.

O Mistério Pascal não se reduz a morte e ressurreição do Senhor, não é um evento sucessivo de um fato, mas abrange toda a vida de Cristo, é a passagem do Senhor, que assume a realidade da criação, levando-a a sua plenitude. É o mistério da passagem do Senhor desse mundo para o Pai e nesta passagem faz a humanidade pecadora passar para a presença do Pai, realizando uma nova criação. Logo a Páscoa é o mistério da vida que brota da morte, a transformação deste mundo mediante a ação de Jesus Cristo.

Este dinamismo pascal torna-se presente mediante a celebração sacramental. A liturgia é a memória da Páscoa do Senhor. Memória que não é recordação, mas atualização do que se celebra. Quando celebramos não repetimos nem representamos o evento fundante, mas se torna presente o Mistério Pascal do Senhor. Fazer memória, no sentido bíblico, é tornar presente o evento celebrado como também, sua plena realização.

“A Tradição, no sentido teológico forte do termo é esse ‘recordar-se’ que se dá pela a ação do Espírito Santo na transmissão da Palavra, na conformação cristã da existência por meio do amor ao necessitado (cf Hb13, 3), na celebração da liturgia. Não se trata de uma recordação historizante, nem intelectualista, nem doutrinária, mas de uma vivificação pela Palavra numa vivência celebrada na liturgia sob a ação do Espírito de Cristo. É fundamental para a compreensão do memorial (...) no sentido neotestamentário essa afirmação do Espírito Santo como fonte e penhor do realismo salvífico que nela se opera”[4]

É do Mistério Pascal de Cristo que nossas celebrações adquirem seu significado. Logo a “liturgia não é espetáculo sagrado, nem cumprimento legal de ritos, tampouco um conjunto de atos religiosos privados, nem a mera expressão externa do sentimento religioso, menos ainda uma catequese ilustrada ou um meio de conscientização.”[5]

 

Pe Francisco Leiva Neves Carvalho

Pároco Paróquia Nossa Senhora das Graças - Iguatu



[1] “Ela (Liturgia) simboliza através de sinais e realiza em modo próprio a cada um a santificação dos homens; nela o corpo místico de Jesus Cristo, cabeça e membros, presta a Deus o culto público integral” SC 7.

[2] Cristo se autocomunica, isto é, se entrega a nós, Ele é o dom que recebemos na Liturgia.

[3]VV.AA. Manual de Liturgia II - CELAM, edições Paulus 2ª Edição 2011, pg 14.

[4]  TABORDA, Francisco, O Memorial da Páscoa do Senhor, Edições Loyola, São Paulo, 2009,pg 69.

[5] VV.AA. Manual de Liturgia II - CELAM, edições Paulus 2ª Edição 2011 pg 21.

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