LITURGIA E FÉ

Terça, 09 Agosto 2016 15:01

O SACERDÓCIO DE CRISTO

“A Liturgia é considerada como exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, (...) que toda celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote, e de seu Corpo que é a Igreja, é uma ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo título e grau, não é igualada por nenhuma ação da Igreja”. – SC art. 7

O sacerdócio de Cristo é único em sua razão de ser e como na sua realização, pois Jesus Cristo não é sacerdote segundo a primeira Aliança, não possui linha sacerdotal, sua atuação está mais próxima da ação profética que sacerdotal. Em Mateus 16, 14 (cf Lc 9,19) há uma referência de como o Povo via Jesus: é um profeta. Somente a Carta aos Hebreus se refere a Jesus como Sacerdote. Então o sacerdócio de Jesus é diferente do sacerdócio cúltico do Templo. O sacerdócio de Cristo é um sacerdócio existencial, ou seja, com  a encarnação da Palavra Eterna de Deus, Deus estabeleceu uma nova e definitiva mediação com a humanidade, sendo a Palavra encarnada na nossa história e em nossa vida. Sendo assim a própria vida de Jesus torna-se essa mediação e oferta perfeita a Deus.

 

“Os sacerdotes das outras religiões  oferecem vítimas alheias a eles, realizando ações rituais no templo e em âmbitos consagrados à divindade. Cristo, em contra partida, não desenvolveu sua vida no templo nem em ações rituais, mas inserido na vida das pessoas e em seus ambientes. Toda a sua vida foi um sacrifício de si mesmo, numa fidelidade de vida que o levou até a morte na cruz”[1]

 

Cristo ofereceu o sacrifício espiritual de sua vida inteira ao Pai, nesta entrega da vida Jesus revela-se mediador e sacerdote definitivo da Nova Aliança. Por isso que no Cristianismo não há “sacerdotes e nem templos”, pois o próprio Cristo é o Sacerdote-mediador e Templo, no qual nós encontramos acesso livre e definitivo a Deus, em que a Criação e o Criador, celebram uma união definitiva e plena: o Criador tornou-se Criatura, e esta humanidade do Filho de Deus é oferenda e ofertante - vítima e sacerdote, como rezamos no prefácio da Páscoa V: “Pela oblação de seu corpo, pregado na cruz, Levou à plenitude os sacrifícios antigos. Confiante, entregou em vossas mãos seu espírito, Cumprindo inteiramente vossa santa vontade, Revelando-se, ao mesmo tempo, Sacerdote, altar e cordeiro.” Sendo assim a Páscoa de Cristo é ápice de seu Sacerdócio.[2]

Jesus na doação de sua vida resgata o cultuo original que Deus quisera do povo de Israel, quando fizera a Aliança, constituindo seu o Povo: “Agora, se realmente ouvirdes minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida entre todos os povos. Na realidade é minha toda a terra, mas vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa”.[3] O que Deus exige de seu Povo é que se ouça  e guarde a Aliança. Não se fala em sacríficos e holocaustos, isto vem posteriormente, como forma simbólica dessa doação da vida, porém, quando o culto material substituiu o culto existencial, vem os profetas para exigir o retorno ao culto original posto por Deus.

“Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai vossos holocaustos com os outros sacrifícios e comei essas carnes, pois não foi disso que falei a vossos pais, não lhes dei qualquer ordem sobre holocaustos e sacrifícios, quando os fiz sair da terra do Egito! Pois esta, sim, foi a ordem que lhes dei: Dai ouvidos à minha palavra, e serei um Deus para vós e vós sereis um povo para mim. Andai pelos caminhos que vos ordenei para serdes felizes”.[4]

 

Desta forma Jesus cumpriu com toda a verdade da Primeira Aliança e estabelece a Nova Aliança, sendo Ele mesmo a oferta e o sacerdote do culto ao Senhor, à medida que no cotidiano da vida Ele vai se entregando como alento e vida aos mais pequenos e marginalizados[5] Jesus Cristo torna-se, portanto, a razão de nossa oração.

“Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação, dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Pai santo, Senhor do céu e da terra, por Cristo, Senhor nosso. Pela vossa palavra criastes o universo e em vossa justiça tudo governais. Tendo-se encarnado, vós nos destes o vosso Filho como mediador. Ele nos dirigiu a vossa palavra, convidando-nos a seguir seus passos. Ele é o caminho que conduz para vós, a verdade que nos liberta e a vida que nos enche de alegria. Por vosso filho, reunis em uma só família os homens e as mulheres criados para a glória de vosso nome, reunidos pelo sangue de sua cruz e marcados com o selo do vosso Espírito.”[6]

 

 


 

[1] VV.AA. Manual de Liturgia II - CELAM, edições Paulus 2ª Edição 2011, p 38.

[2] “Jesus Cristo, o Único Sacerdote da nova e eterna Aliança, não “entrou em um santuário feito por mão de homem”. e sim no próprio céu, a fim de comparecer agora diante da face de Deus a nosso favor" (Hb 9,24). No céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio, "por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles" (Hb 7,25). Como "sumo sacerdote dos bens vindouros" (Hb 9,11) ele é o centro é o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus (Cf Ap 4,6-11)” Catecismo da Igreja Católica n. 662.

[3] Ex. 19,5-6. Cf Dt 10,12-13.

[4] Jr 7,21-23; // Am 5,21-25:  “Sou contra, detesto vossas festas, não sinto o menor prazer nas vossas celebrações! Quando me fazeis subir a fumaça dos holocaustos... não aceito vossas oferendas, nem olho para os sacrifícios de carne gorda. Afasta de mim a algazarra de teus cânticos, a música de teus instrumentos nem quero ouvir. Quero apenas ver o direito brotar como fonte, e correr a justiça qual regato que não seca. Acaso me fizeste oferendas ou sacrifícios nos quarenta anos de deserto, casa de Israel?; Cf Os 6, 1-6, Eclo 34, 21-31.; Sl 50,18-21.

[5] “Ele sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados” Oração Eucarística VI D.

[6] Cf Oração Eucarística VI D

 

 

 

 

Lido 564 vezes Última modificação em Terça, 09 Agosto 2016 15:18

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