Domingo, 25 Setembro 2016 01:05

A IGREJA A SERVIÇO DO POVO

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Diante das inúmeras situações que colocam o Brasil numa grave crise social, politica e economica, a CNBB emitiu uma Nota[1] no dia 10 de março deste ano para “iluminar a consciencia dos fiéis” sobre as graves consequências e os efeitos funestos que comprometem a vida do nosso povo. Consciente da sua missão no mundo, a Igreja cumpre desse modo o seu dever de defender e proteger a pessoa humana, a sua dignidade e os seus direitos.

Tal iniciativa da parte da Igreja em relação à pessoa humana procede da sua profunda consciência de que o Estado, a politica, a economia, a sociedade e a cultura -como qualquer outro tipo de instituição ou organização social - existem e encontram o seu sentido e significado mais profundos somente e à medida em que se colocam a serviço da pessoa[2].

Nestes últimos dias[3] a CNBB mais uma vez manifestou a sua preocupação sobre a questão política. A razão de tal preocupação é justa, uma vez que todo cidadão, crente ou não, deve tomar consciência de a que a Política é (se não o é, deveria sê-lo; se ainda não o é, talvez porque nós cidadãos fomos e ainda estamos sendo negligentes e omissos) o meio mais eficaz de que dispomos para nos garantir o uso dos nossos direitos e o exercício dos nossos deveres e desse modo usufruirmos de uma vida compatível com aquele ideal que tanto almejamos: educação de qualidade, segurança, saúde de qualidade (sem a necessidade de pagar um alto preço a planos privados), saneamento, moradia, trabalho, lazer. Nada disso é luxo, mas direito. Repito: a razão de tal preocupação é justa, pois, se a Igreja não se faz porta-voz daqueles que são impossibilitados de falar, então quem falará? Repetimos as palavras do Senhor em forma de canção em algumas vezes em nossas celebrações: “se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão” (Lc 40, 19); e é possível que de fato isto aconteça.

Os senhores políticos (vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidentes) foram eleitos pelo povo para defender os direitos do povo, para criar as condições de vida digna para o povo, para proporcionar os meios necessários de sobrevivência ao povo e para oferecer os instrumentos necessários para a promoção do bem-comum. Mas o que realmente acontece? Percebemos que interesses existem, mas pessoais; condições de vida digna existem, mas são oferecidas a um grupo muito restrito; dinheiro para o investimento nos mais diversos setores da vida social também há, mas desaparece como um relâmpago e não se sabe (alguns sabem) aonde vai parar.

         Estamos às portas de mais uma possibilidade de fazer escolhas. E a Nota da CNBB nos quer ajudar a pensar. A Nota, com palavras muito suaves, nos faz boas advertências, ajudando-nos a pensar. E o seu final é coroado com um convite que transcrevo aqui ipsis litteris: “Conclamamos a população, legítima autora da Lei da Ficha Limpa, a defendê-la de toda iniciativa que vise ao seu esvaziamento. Urge não dar trégua ao combate à corrupção eleitoral e a tudo que leve ao desencanto com a política cujo objetivo é a justiça e o bem comum, construído pacífica e eticamente”. Nesse sentido, defender a Lei da Ficha Limpa não se concretiza somente com as denúncias que a infrigem, mas sobretudo com a devida atenção que devemos ter no momento de votar.

         Pra concluir observo um detalhe pleno de significado: a Nota é dirigida a todos os homens de boa vontade, mas particularmente às cidadãs e aos cidadãos católicos, inclusive a nós consagrados. Nesse sentido, parafraseando o que certa vez disse Padre Zezinho, “quem dera que nós padres fossemos mais honestos…”, o que me faz pensar: ‘ah se evitássemos certas alianças e apoios…’! Estas, a meu ver, causam danos numa dupla perspectiva: a) as tais alianças confirmam (estimulam algumas inteligências a pensarem) que a corrupção praticada por alguns é coisa muito boa; tal confirmação não só se aprofunda, mas alarga sempre mais o seu leque, abrindo horizontes maiores na corrupção. Consequência? A confirmação que aprofunda e alarga a corrupção tem como efeito a segunda perspectiva b) que consiste no abandono muito maior do nosso povo, deixando-o a mercê do sofrimento, da dor, da injustiça e do caos social.

         Alianças desse tipo devemos evitar. A nossa vida, a nossa vocação e a nossa missão são autênticas somente à medida em que nos tornamos profetas, isto é, à medida em que temos a coragem de assumir sem medos as dores, angústias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos abandonados. Assumindo tal profecia, como Igreja no mundo, podemos dar cumprimento às exigências do Reino anunciado e instaurado por Jesus Cristo, atualizando-O na história humana através do serviço ao povo, pois para isto fomos e somos chamados.        

 

Itália, 24 de setembro de 2016.

Pe. Cicero Lemos           



[1] Nota da CNBB sobre o momento atual do Brasil, 10 de março 2016.  

[2] Este tema é aprofundado pelo Papa João Paulo II na Carta Encíclica Evangelium Vitae, 25 de março de 1995.

[3] Nota da CNBB em defesa da lei da Ficha Limpa, 24 de Agosto de 2016.

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